• Leandro Barreiros

A condição humana


Harlam ouvia sobre Quilbrum desde a infância. A cidade ficava a longínquas léguas do Arquipélago de Florais, tão bela quanto os jardins de Tamuachan e tão avançada quanto a lendária Songdon, isolada há centenas de anos no Oriente devastado. Seu avô dizia ter conhecido o lugar quando se aventurou com mercadores ciganos. Nunca vira cidade mais bela, formada por gigantescas torres brilhantes e praças que faziam a vila de Suput parecer uma oca. Havia fartura para todos, pois as pessoas reaproveitavam tudo e a paz e alegria eram a regra. Teria ficado por lá, mas o costume de casamento entre homens e outros animais, às vezes até árvores, era estranho demais para ele e, por isso, foi embora.


Jamais se arrependeu tanto.


Harlam sonhava com Quilbrum quase todos os dias. Geralmente dormindo, mas às vezes acordado. Um mundo onde havia comida para todos, pois o desperdício, que via tantas vezes nos sacrifícios para Groto, o grande, era inaceitável. Quando puxou a rede, pensava na cidade fantástica do além mar. Quando notou que estava vazia, voltou à realidade.


-Há noites você não pega nada –resmungou um dos três homens que estava pescando com ele.


-Há noites que vocês não pescam quase nada, Salmet –Mara respondeu, intervindo.


-Quase nada é infinitamente melhor do que nada –respondeu Salmet e os outros concordaram.


Harlam tateou a rede. Procurou por nós frágeis ou desfeitos. Estava intacta.


-O povo deveria arrumar suas coisas e procurar um lugar melhor. Já não há peixe na Ilha de Pinheiros.


-Você é um idiota –Salmet respondeu. –Não é porque não consegue pescar que não há peixe. Não há lugar melhor para gente. O mar do Oriente é negro e intragável.


-Existe um lugar. Meu avô encontrou Quilbrum no ocidente. Ele disse que era perfeito. Nada era desperdiçado e por isso havia abundância de tudo.


-Seu avô era um bêbado –Salmet disse seco. –Ele achou Quilbrum no fundo de uma garrafa.


O rosto de Harlam corou; os olhos incendiaram. Os homens riram do insulto. Apenas Mara ficou séria, incomodada com os rumos da conversa. Sabia que Harlam não aceitaria que falassem assim de seu falecido avô. Ele idolatrava o homem. Quando estavam sozinhos observando as estrelas, Harlam lhe contava sobre as aventuras de seu intrépido avô, com um largo sorriso para cada façanha. Mara não apreciava tanto as histórias, mas o coração sempre batia mais forte quando ele sorria.


-Retire o que disse, Salmet –Ameaçou Harlam, encarando o pescador de perto.


Salmet tinha que abaixar a cabeça para encontrar os olhos incandescentes do pescador azarado.


-Eu retiro o que disse, aziago.


As brasas se extinguiram. Podia conviver com os insultos sobre si. O que não toleraria é que comprometessem a honra de seu avô. Afastou-se de Salmet. Que ele e os outros que o achavam portador da má sorte se fodessem. Voltou a atenção para a rede. Mara soltou a respiração.


-Seu avô não disse que esteve em Quilbrum por estar bêbado. Disse porque era um mentiroso. Era um pescador mais amaldiçoado do que você e por isso inventava histórias para as pessoas não falarem sobre o merda de pescador que era. Preferia que achassem que era o merda de um mentiroso.


A mão de Harlam encontrou o rosto de Salmet no momento em que ele terminou a última palavra. Ele montou rapidamente no companheiro de pesca, desferindo socos imprecisos com as mãos. Os homens olharam com interesse a briga, mas nada fizeram. Uma disputa devia acabar por si. Mara também não interveio. Não cabia a uma mulher separar a briga de homens. Limitou-se a torcer que a iniciativa de Harlam compensasse a desvantagem de sua idade e tamanho.


Não compensou.


Salmet era quatro anos mais experiente. Sob a chuva de golpes, empurrou o rosto do garoto e, quando ele mecanicamente fez força contrária, puxou sua cabeça e golpeou-o com o cotovelo. Harlam tombou para o lado e foi a vez de Salmet subir em cima dele. O pescador mais velho cuspia insultos e socos.


O garoto acordou ainda naquela noite, sob um olmeiro. Os homens foram embora. Ali estava apenas Mara, de costas, assando um peixe em uma fogueira. Havia peixe, afinal. Ia perguntar quão mal estava o rosto, mas as dores eram bastante reveladoras. Ainda enxergava e isso era bom. Tateou os dentes com a língua. Apenas um no lado esquerdo tinha desaparecido. Poderia ter sido pior. Muito pior.


Contudo, isso não trazia consolo. Estava cansado da vila, da ilha, das pessoas que o encaravam como maldito pela falta de peixes. Aliás, se Salmet não batera até arrancar todos os dentes deve ter sido por medo de contrair a má sorte. Como se não bastasse o tratamento das pessoas, os sacrifícios para Groto, o Grande, pareciam cada vez mais absurdos. Quanto menos comida a vila tinha, mais sacrifícios fazia para Groto, e quanto mais sacrifícios, menos comida e mais acusações restavam.


-Eu vou embora –anunciou, sem desconfiar que as palavras sairiam tão enroladas por conta dos inchaços.


Mara virou o rosto para ele e, então, fitou a fogueira.


-Para Quilbrum?


-Sim. Não há nada aqui para mim. Irei com os marinheiros do Oeste.


-Os marinheiros dizem que lá “nada é desperdiçado”. Tudo é círculo. –Mara estremeceu.


-Incrível, não é? Com torres gigantes e homens casados com animais.


-Não sei. Você quer casar com uma cabra?


-Claro que não! Mas seria engraçado ver uma mulher amando um papagaio.


Ela suspirou.


-Nem tudo pode ser reaproveitado. Há coisas que devem deixar de ser. –ela disse e suas palavras mal ficaram paradas no ar, sendo carregadas pelo vento para outro lugar e outro tempo.


-Para saciar Groto? Isso é estúpido –respondeu, sem lhe dar atenção.


Mara sentiu calafrios novamente, mas nada disse. Retirou o peixe do fogo e se aproximou de Harlam. Deu-lhe um pedaço com as mãos.


-Irei com você –ela avisou.


-Por quê?


-Porque depois que você for, também não terá nada aqui para mim –respondeu, desembaraçada.


Harlam mediu as palavras que falara há pouco e tentou consertar. Quis dizer que não ter nada era diferente de não ter ninguém. “Você também é importante...”, começou, mas era tarde. Ela silenciou seus lábios com o dedo. Tocou suas feridas com a mão e beijou seu rosto. Montou no corpo do rapaz, afastando a calça dele. Acariciou a pele lisa e massageou-o até que ficasse pronto. Então, levantou a própria saia, revelando a cintura fina, a pele lisa maculada apenas pela marca de nascença em formato de três pétalas na perna esquerda e os pelos púbicos bem aparados.


-Eu vou com você –ela repetiu.


II


E foram.


Conversaram com comerciantes que chegavam do outro lado do Oceano e perguntaram se poderiam embarcar com eles em direção às terras do ocidente. Não tinham dinheiro, por isso ofereciam trabalho no navio durante o período. Ouviram dos três primeiros capitães que abordaram um não ríspido. Mas, no quarto, o não foi mais educado.


Passaram quase duas semanas no cais incomodando os marinheiros. Quase todos aceitavam sob a condição de pagamentos que os jovens jamais conseguiriam realizar. Finalmente, um velho capitão, bêbado como um gambá, enxergou neles uma inocência que acreditava ter se perdido no mundo e concordou em levá-los até a cidade de Lamúrias. De lá, estariam livres para seguir seu destino.


-Estive em Quilbrum uma vez –ele falou com voz alta –lá nada é desperdiçado e as pessoas tem cara de animal. Você parece um tamanduá, vai se misturar bem –disse, olhando para Harlam.


O homem partiria na manhã seguinte e não os esperaria caso se atrasassem. Ambos temiam que, ao recuperar a sobriedade, o velho negasse acesso ao navio. Contudo, no dia seguinte, o capitão estava ainda mais bêbado e não deu a menor atenção para a entrada dos dois.


A viagem durou quarenta e duas noites e durante todo o caminho Harlam e Mara cozinharam, serviram e ajudaram a limpar o convés. Alguns marinheiros pressionaram para que os jovens lhes servissem também na cama, mas o capitão –que descobriram se chamar Constâncio –deixou bem claro que o primeiro a encostar neles passaria a noite pendurado na saída de escape do vapor. O segundo seria castrado e o terceiro seria castrado E pendurado no escape, de modo que nenhum homem encostou nas crianças, pois já sabiam o que o capitão podia fazer quando estava bêbado, o que era sempre.


Na noite anterior à ancoragem, Constâncio casualmente instruiu os jovens a não mencionarem seu objetivo de alcançar Quilbrum enquanto estivessem em Lamúrias.


-Há grande tensão entre as cidades. A guerra se aproxima, e muitas pessoas insistem que Lamúrias apoie Songdon –explicou.


Ao invés disso, deveriam seguir discretamente para o sul, onde alcançariam uma pequena vila chamada Terramar. De lá, poderiam seguir para Nova Branca e, então, contratar um guia para chegar a Quilbrum.


Pouco sabiam sobre a guerra e, quando desceram em Lamúrias, quase esqueceram do resto do mundo.


Já quando aportaram, puderam ver as grandes torres que cuspiam fumaça marrom no céu. Nos primeiros dias, apenas a estrutura da cidade era o bastante para impressioná-los: as ruas eram planícies inteiras e nelas corriam bestas de metal que abrigavam pessoas e lançavam sua fumaça avermelhada para o alto. Os mercados eram enormes e cada um tinha mais comida do que sua antiga vila poderia juntar em cem anos. Na parte externa dos prédios, quadros gigantescos se moviam e declaravam notícias sobre a tensão entre Quilbrum e Songdon, sobre o estilo de vida depravado da cidade harmônica, sobre quão boa era uma nova mercadoria que promovia o emagrecimento e sobre um trem aquático que ligaria Lamurias à Songdon, passando por cima das águas escuras do Oriente.


Diante da imponente modernidade, levaram algumas semanas para realmente reparar nas pessoas. Muitos usavam tecidos finos e maquilagem estranha nas faces, notadamente os que utilizavam as bestas para se locomover e desapareciam dentro das grandes torres azuladas. Outros se limitavam ao uso das pernas, tinham a cabeça raspada e a pele seca pelo contato contínuo com a fumaça. Trabalhavam aqui e ali, mendigavam, ou pegavam o que precisavam para sobreviver. Entre os dois tipos percebeu apenas uma coisa em comum: os olhares, ora de desprezo, ora de indiferença, que trocavam entre si, durante trabalho informal ou na concessão de esmolas.


Os dias passaram. Mara e Harlam perceberam que, apesar de todos os excessos, havia na cidade pessoas tão pobres quanto em sua vila natal, muitas vezes ainda mais famintas. Observaram a comida dos enormes mercados se amontoar até estragar. Em uma noite, quando um garoto tentou pegar a comida para si, homens vestido de preto o carregaram com violência e ele não foi mais visto nas ruas.


Após alguns meses na cidade, vivendo a miséria dos sem cabelos, Harlam começou a sentir falta de sua vila e das discussões com Salmet. Mara estava cada vez mais calada e já não o tocava. Moravam na rua, em um acampamento improvisado de mendigos próximo ao porto, onde vez ou outra um homem sujo falava sobre justiça e revoluções. Mas elas nunca vieram. Numa noite qualquer, Harlam decidiu que era hora de saírem dali. As maravilhas da cidade eram ilusão.


-A hora já passou –Mara corrigiu-o.


E seguiram para Quilbrum.


III


Não era fácil chegar à cidade lendária. Encontraram Terramar e, então, Nova Branca. Mas descobriram que ainda estavam longe. Foram para Serpat, Maligut, Novo Rio, Coca Preta, voltaram para Maligut e então seguiram para Leste.


Quilbrum era difícil de ser encontrada quando não tinha interesse em aparecer. “A luz esconde a cidade em tempos incertos”, disse uma senhora em Maligut. Songdan finalmente havia declarado guerra e muitas cidades do continente se reorganizavam diante das posições entre as potências.


O tempo passou. Os corpos cresceram. A obsessão de Harlam com a cidade diminuiu, mas continuou buscando o lugar porque, com os anos, acabou adquirindo o hábito de procurá-lo.


Estavam em sua enésima expedição para Quilbrum, agora acompanhados por um enorme grupo de pessoas que disseminaram o boato de que a cidade abria novamente as portas para forasteiros.


No primeiro dia com o grupo, conheceram um idoso que afirmava conhecer o caminho. No quarto, fizeram amizade com um casal de Maligut que trazia três crianças. No décimo, o idoso avisou que faltava pouco. No dia seguinte foram atacados.


O acampamento inteiro foi pego de surpresa. Os inimigos trajavam vestimenta preta e disparavam armas automáticas cujo som faria um javali fugir. Mara e Harlam correram na balbúrdia da batalha. As pessoas gritavam, reagiam, corriam, imploravam e morriam. Principalmente morriam.


Enquanto fugiam, Harlam tropeçou no corpo do casal de Maligut. Seus filhos não estavam em nenhum lugar para serem vistos. Mara ajudou-o a levantar, mas caiu em seguida quando um disparo perfurou seu ombro. Harlam gritou. Olhou para trás em fúria, mas só enxergou a confusão amorfa da guerra. Então, apenas apoiou Mara no ombro e foi embora.


IV


Mais ninguém se aproximou deles. A bala que perfurou o ombro de Mara havia saído pelas suas costas, deixando um pequeno furo de odor fétido. Harlam carregou a menina até onde pôde. Certa noite, descansavam sob um castanheiro enquanto ele examinava a ferida.


-O preto está aumentando –ele murmurou.


-Eu vejo.


-Está ficando podre. Precisamos voltar.


-Harlam...


-São trinta dias até Maligut. Talvez façamos mais rápido sem o grupo.


-Harlam, escute... –ela pediu –Você sabe que não chegaríamos a tempo. Aquelas pessoas ainda estão por aí. Você precisa ir embora.


-Não está falando sério.


Mas Mara não ouviu. A consciência havia escapado de sua mente.


V


Não podiam voltar, mas podiam seguir em frente. Quilbrum precisava estar perto.


E estava.


VI


Parou diante da imponente muralha da cidade. Mesmo antes de colocar o pé dentro de Quilbrum, sentiu-se pequeno como um animal na floresta. Os sábios haviam protegido a cidade com gigantescas sequóias, não serradas e amontoadas, mas eu seu estado natural. Quanto tempo foi necessário para que a muralha surgisse Harlam nunca soube. Arrastava Mara com a ajuda de uma enorme folha de bananeira. Improvisou uma pasta de raiz e folhas para cobrir a feridas, mas as moscas continuavam rodeando o machucado, atraídas pelo cheiro da podridão.


Harlam encontrou os portões da cidade e implorou por ajuda. Para sua surpresa, as portas se elevaram rapidamente. Cinco homens surgiram da passagem. Dois deles se apressaram em colocar Mara numa maca esverdeada e injetaram algo em seu ombro.


-O que estão...


-Não há tempo para isso –respondeu um dos homens, com olhos de pantera. –Os observamos de longe. Tentaremos ajudá-la, mas seu estado é crítico. Despeça-se.


-Eu vou com...


-Se não quer atrapalhar, despeça-se. E deixe-os fazer o necessário.


Seu estômago se transformou em nó. Apertou a mão de Mara, mas não conseguiu falar nada.


VII


Foi preciso apenas colocar os pés na cidade para perceber que o avô nunca esteve em Quilbrum.


Ao contrário das enormes torres que ele e outros mercadores descreviam, a maioria das construções era baixa, circular e com um teto espelhado bastante amplo, como gigantescos cogumelos. Simbad, o homem que o recebera, explicou que as residências funcionavam como as plantas, absorvendo a energia solar e a manipulando para diferentes tarefas. Era, inclusive, a fonte de alimento de pequenas criaturas criadas pelos sábios da cidade, “não não robôs”, ou algo assim, cujos olhos não eram capazes de ver sem equipamento especial.


Harlam descobriu rapidamente que a história dos casamentos com animais era falsa. Os “não não robôs” eram responsáveis pelos traços animais. Sugeriram a Harlam que testasse sua compatibilidade, mas ele não estava interessado. Aquilo não era importante. Nem a farta comida no prato, o conforto do quarto ou os inúmeros embrulhos de roupa que recebeu nos dias seguintes. Apenas Mara estava em sua cabeça.


Ao contrário do que esperava, os habitantes da cidade também não pareciam abraçar com felicidade a própria vida. Em uma festa de primavera que comemorava os doze meses de energia solar armazenados durante a revolução terrestre, a quantidade de produtos reciclados e o crescimento bélico para enfrentar Songdon, observou nos olhos do povo a inconformidade e o ódio perante aqueles que viviam em desequilíbrio com o mundo, desequilibrando a si mesmos no espírito. Quilbrum tinha pretensões imperiais, percebera. Para seus habitantes, a harmonia só faria sentido quando o mundo inteiro a aceitasse. Harlam se perguntou se seriam felizes depois disso.


Após a primeira semana, a cidade maravilhosa, farta e igualitária, se tornara apenas uma cidade. Uma revelação decepcionante para qualquer um que ouviu sobre sua grandeza, porque era apenas o que qualquer construção humana poderia ser. No décimo dia na cidade, bateram em sua porta dois homens vestidos em traje branco, com mais um pequeno embrulho nas mãos.


-Sentimos muito. Fizemos todo o possível para salvá-la...


Eles continuaram falando, mas Harlam foi incapaz de ouvir. As palavras perderam o sentido... Indolor, reciclagem, adubo, plantações... mais tarde conseguiu recuperar alguns trechos, apenas para reviver a dor da notícia.


O embrulho continha um casaco escurecido que só vestiu no mês seguinte, em uma noite particularmente chuvosa. Deitou cedo nesta noite, mas o sono durou pouco. Foi atormentado pelas palavras de Mara, que há anos surgiram na ilha de Pinheiros e percorreram o espaço de maneira lenta mas persistente, até alcançar seus ouvidos durante o sono.


“Nem tudo pode ser reaproveitado. Há coisas que devem deixar de ser”.


Perturbado, correu para o espelho da casa, inspecionando milimetricamente o casaco que vestia seu corpo. Atrás do ombro encontrou o que procurava. As três pétalas escurecidas da perna de Mara. Então caiu no chão e chorou.


Mais uma vez, tarde demais quis dizer para Mara que só queria ela ao seu lado. Redescobrira que ter tudo era diferente de ter alguém. Naquela madrugada, teve a impressão de que estavam todos condenados por Groto à infelicidade eterna. Era esta a condição humana que uniria para sempre Songdan, Quilbrum e tudo que houvesse entre elas, mesmo que nenhuma pessoa estivesse disposta a admitir. Sentiam todos a angústia e buscavam desesperados qualquer solução para fugir dela. A aventura, a bebida, a conspiração, a harmonia, a riqueza, a pobreza, a guerra. Pensou que por mais que se esforçassem, por mais que conquistassem, estariam todos condenados à desgraça.


E estavam.


O conto acima foi criado há alguns anos para um desafio de distopias punks.


Dos mais variados ramos da distopia punk, decidi abordar o solarpunk, que trata de futuros em que a sustentabilidade foi ou estaria prestes a ser alcançada e de eventuais repercussões negativas. No caminho, subgêneros irmãos acabaram surgindo.

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Vasculhando umas pastas antigas no meu HD encontrei esse singelo texto escrito há uma década. Espero que gostem.