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Do Anderson do Molejo ao Jimmy Hendrix: O xeque-mate do Eu-lírico no século XXI.


ATENÇÃO: O texto abaixo é de autoria de um mestre anônimo, cujos conhecimentos acadêmicos da geografia política e natural só são equiparáveis a sua disposição extraordinária em sua cruzada para não criar um login e senha neste blog.


Quando surgiram as fofocas em relação ao envolvimento do Anderson do Molejo com o tal do MC Maylon eu achei tudo muito estranho, pra falar a verdade, achei uma mentira absurda e um golpe colossal! Desses noticiados por fofoqueiros que se autoproclamam jornalistas, com a intenção de "catapultar" um nova subcelebridade.


Mas depois de assistir alguns trechos da polêmica entrevista, (não tive paciência para vê-la por completo) fiquei espantado! Não por conta de uma confirmação do crime, mas sim pela confissão natural da homossexualidade do pagodeiro.


Vou me explicar. O Anderson do Molejo é (ou era) uma espécie de baluarte da carioquice suburbana do Rio de Janeiro, que sim, possui contornos conservadores e até rudes. Mas, suas músicas carregam um bom humor e irreverência aquele lado canalha e cafajeste do homem suburbano e conservador carioca. Tais como: A cilada amorosa arquitetada pela femme fatale suburbana, A "Maria Maria" mulher de má fama entre os homens (quanta blasfêmia com o nome da Virgem) e a famosa música da "casa de massagem".


Tudo isso, para mim, foi implodido após a ultrajante entrevista. Tal como se a confissão representasse, de certa maneira, a queda da Bastilha do pagode picaresco carioca.


Comentei a frustração com o estelionato poético com meu amigo filósofo e ele, com sua sabedoria, socrática me respondeu.


"Gil meu caro, há de se considerar a liberdade do Eu-lírico."


Ele nunca esteve tão correto! Porém, assim como eu, muitos tem esquecido que o Eu-lírico pode transitar no campo das expressões sem compromisso algum com a realidade. Infelizmente nem todos tem um amigo filósofo para lembrá-lhes disso.


O século XXI tem sido difícil para o Eu-lírico. Cada vez mais impossibilitado de transitar no fantasioso mundo de seus sentimentos e emoções, se vê constantemente censurado pelo atual século. Como se sua poesia fosse a descrição objetiva de seus sentimentos e ideias.


Certa vez, voltando com minha namorada de uma confraternização de família, voltei dirigindo meu carro e meus ouvidos me pediram para saborear a fúria da guitarra de Jimmy Hendrix através da sua música Hey Joe. Para quem não conhece, a letra da canção narra um tentativa de feminicídio executada por um companheiro enciumado e supostamente traído.


Minha namorada, com seu inglês afiadíssimo e que nunca tinha ouvido a música, ficou horrorizada! Teve uma crise de choro e se voltou contra mim por eu ouvir coisa tão hedionda. Tentei justificar o apreço pelo subversivo som da guitarra, mas de nada adiantou.


Pobre Hendrix, foi cancelado ali mesmo. Logo ele com suas roupas androgenas e frases como:


"Quando o Poder do Amor superar o Amor pelo Poder, o mundo conhecerá a Paz."


Mas assim é o novo século, ou será que sempre foi assim? Enfim, não a toa que acho que foi Nelson Rodrigues que disse que a maior morte morte da história ou do século XX foi a morte do Eu-lírico.


Anônimo Gil

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