• Barbosa

Getúlio – RESENHA


Em 2014 completou 60 anos desde que o “pai dos pobres”, como Getúlio Vargas era chamado por seus simpatizantes, suicidou-se com um tiro no coração dentro de seu quarto no palácio do Catete. E nesse ano foi lançado o filme “Getúlio” retratando os últimos 19 dias de vida do presidente e explorando as consequências do atentado da Rua Tonelero até o trágico fim do chefe da república.


O filme começa com o jornalista Carlos Lacerda, crítico do governo Vargas, sofrendo o atentado em 5 de agosto de 1954 que resultou na morte do Major Rubens Vaz que estava fazendo sua segurança naquela noite. Com o desenrolar das investigações alguns membros da guarda pessoal de Getúlio começam a ser incriminados, dentre eles o chefe da guarda Gregório Fortunato. Conforme as investigações se aproximam da família Vargas são descobertos diversos esquemas de corrupção entranhados no governo, inclusive envolvendo propina de bicheiros. A oposição, em conjunto com a aeronáutica e a marinha em um primeiro momento, e recebendo apoio do exército pouco depois, exerceram tal pressão no governo de Vargas que este acabou por cometer suicídio em 24 de agosto de 1954 para não ser deposto.


O maior mérito do filme é não exigir do espectador nenhum conhecimento prévio sobre história do Brasil para poder acompanhar o enredo. Logo na primeira cena há um monologo de Getúlio, que na verdade é uma apresentação do personagem, e apesar de ser um pouco expositivo entendo como necessário para que o publico saiba quem é esse Vargas retratado, como ele enxerga a si e como seus adversários e aliados o vê. A maquiagem dos personagens também é digna de elogios, todos os atores estão muito parecidos com as figuras históricas. Um ponto de crítica é uma quebra de ritmo do filme em um momento em que o enredo estava explorando o suspense em uma pegada de thriller policial, e somos confrontados com uma cena de um lustre do palácio girando seguido de um sonho demasiadamente longo.


“Getúlio” é um filme relativamente curto, conta com 100 minutos de duração, que aborda uma época fundamental da nossa história que até hoje permanece envolta em mistério. Apesar da cena final composta por gravações de arquivos da época não acho que romantizaram a figura de Vargas, e ainda nos faz pensar que rumo o país teria tomado caso seu chefe máximo não tivesse cometido suicídio naquela noite. Em suma, trata-se de um filme que contraria aqueles que dizem que não se faz filmes de qualidade por aqui.


Nota: 8,0/10,0


Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=vxWOeb3Qluo

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