• Barbosa

Mike “Iron” Tyson vs. Evander “The Real Deal” Holyfield I


1996. Ano de acontecimentos históricos tanto no Brasil quanto no resto do mundo. Ano em que surgem os primeiros rumores sobre o E.T. de Varginha, morrem os integrantes dos Mamonas Assassinas, Kobe Bryant é escolhido no draft da NBA e Michael Jordan ganha seu primeiro campeonato após voltar da aposentadoria. No entanto, quero falar sobre outro evento que ocorreu nesse ano: a primeira luta entre Evander Holyfield e Mike Tyson.


Tyson, então com 30 anos, havia acabado de recuperar o cinturão dos pesados pela WBA naquele mesmo ano, após um período de três anos preso sob acusação de estuprar a candidata Miss Black America Desiree Washington. A luta contra Evander Holyfield era sua quinta em um período de pouco mais de dois anos. O pugilista vinha de uma sequência de oito vitórias desde que perdeu sua única peleja, até aquele momento, contra “Buster” Douglas.


Já o vencedor da medalha de bronze dos jogos olímpicos de 1984, Evander Holyfield, tinha 34 anos na ocasião e não vinha de uma sequência muito boa, tendo perdido três das suas últimas oito lutas. Um detalhe curioso é que “Buster” Douglas perdeu os títulos da WBA, WBC e IBF que havia ganho ao derrotar Tyson já em sua primeira defesa, justamente contra Holyfield.


A verdade é que naquela noite em novembro de 96 o “The Real Deal” era considerado o grande azarão na disputa. As casas de aposta pagavam 8 para 1 em caso de vitória de Holyfield, e poucos cronistas acreditavam que a luta se prolongaria além do 3º ou 4º round. O desfecho do combate todos conhecem, usando de sua técnica mais apurada que a do adversário, uma estratégia seguida à risca e de muita malandragem Holyfield ganha de Tyson por nocaute técnico no início do 11º assalto.


Àquela altura Tyson já perdia a luta por pontos, os árbitros Shirley e Roth marcaram 96-92 para Holyfield e Vollmer foi além marcando 100-93. Na minha humilde contagem Tyson perdia por 96-93 até o 10º round. Assim, só um nocaute nos últimos dois assaltos poderia salvar Mike, algo que ele nunca conseguiu realizar em sua carreira.


E como Holyfield conseguiu a proeza de derrotar um dos maiores boxeadores de todos os tempos no auge de sua força física? Ele sabia que Tyson era um striker muito poderoso, que costumava nocautear seus oponentes em poucos minutos e raramente levava a luta durante muitos rounds. Mas sabia também que não tinha muitos recursos além da sua pegada e que ele, Holyfield, tinha um alcance consideravelmente maior que o adversário. O que Holyfield fez basicamente foi controlar a distância com seus golpes longos e travar o jogo de Tyson com clinchs (sempre projetando a cabeça). Sempre que Mike caminhava para golpear, Holyfield andava de encontro à ele. Isso foi minando seu folego e ele foi incapaz de encontrar um meio de fugir dessa armadilha.


Sem mais delongas, vamos à luta!


1º Round: Como de costume Tyson toma as iniciativas e ataca mais, no entanto sempre que isso ocorre Holyfield contragolpeia na média distância, ou anda para frente buscando o clinch. (MT 10 x 9 EH).


2º Round: Holyfield controla o combate mantendo a distância com o uso de jabs e, na metade do round, chega a emboscar Tyson no corner. (MT 9 x 10 EH).


3º Round: Buscando travar o jogo de Tyson e cansar seu oponente, Holyfield abusa dos clinchs. Além disso mantem sua estratégia de sempre andar em direção à Tyson contragolpeando-o. (MT 9 x 10 EH).


4º Round: Temos um vislumbre do estilo de Mike Tyson. Ele consegue encaixar bons golpes curtos, usando principalmente a poderosa canhota. (MT 10 x 9 EH).


5º Round: “Iron” Mike ainda está no jogo! Esse é o melhor round dele. Dispara muitos ganchos na curta distância seguidos de upper. No entanto, cada vez que isso acontece Holyfield tenta quebrar o ritmo usando o clinch. (MT 10 x 9 EH).


6º Round: As coisas começam a ficar bem ruins para Tyson. Ele abre o supercílio logo no início do round e sofre um knockdown ao levar um cruzado de esquerda no corpo. É verdade que ele já estava desequilibrado, mas o golpe o derrubou e o juiz abriu a contagem. (MT 9 x 10 EH).


7º Round: Holyfield continua melhor, mas começa a projetar a cabeça de forma cada vez mais evidente durante os clinchs. Em determinado momento dá uma cabeçada um tanto maldosa em Tyson fazendo o juiz para a luta. (MT 9 x 9 EH).


8º Round: Tyson já está visivelmente cansado e Holyfield controla totalmente a luta, disparando sequencias de jab-direto e sempre andando de encontro ao adversário sem dar espaço para ele. (MT 9 x 10 EH).


9º Round: A história do round anterior de repete aqui. “Iron” Mike cansado demais, e Holyfield controlando-o com combinações de jab-direto e clinchs, sempre projetando a cabeça para resvalar em Tyson. (MT 9 x 10 EH).


10º Round: Incrível! Faltando pouco mais de 20 segundos para o fim do round Holyfield dispara um direto que abala Tyson, que a partir daí sofre uma sequência incrível de golpes pesados. Ele não chega a cair, mas termina o round nocauteado de pé. (MT 9 x 10 EH).


11º Round: Holyfield sabe que essa é a hora de encerrar a peleja. Aos 30 segundos do round, iniciando com um poderoso jab, ele acerta o rosto de Tyson nada menos que 10 vezes em sequência antes de concluir com um direto devastador. Não resta ao árbitro outra escolha que não parar a luta e decretar o nocaute técnico.


Essa é a história de como, aos 34 anos, Holyfield, antes tido como azarão, conquista seu terceiro título mundial dos pesos-pesados igualando a lenda do esporte Muhammad Ali. Ele e Tyson ainda se enfrentariam novamente no ano seguinte para a revanche, mas isso é uma história para outro post.

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