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  • Leandro Barreiros

O caçador de pipas

Atualizado: Fev 22



Lembra da boa época em que o Afeganistão era um lugar tranquilo? Quando era possível associar o país às brincadeiras de crianças com pipas e às grandes construções islâmicas?


Nem eu.


Mas aparentemente um tempo assim existiu e podemos conhece-lo um pouco melhor com o famigerado “O Caçador de Pipas”, de Khaled Hosseini.


Quando o camarada Murilo criou o desafio UM LIVRO DE CADA PAÍS DO MUNDO, que propõe, isso mesmo, a leitura e resenha de um livro de cada país do mundo, decidi iniciar minha caminhada seguindo o alfabeto. Iniciaria pelo Afeganistão e a cada duas semanas devoraria a literatura de um novo país. Comecei a leitura do livro de Hosseini em maio de 2019 e... pronto. Oito meses depois aqui estamos nós.


Quase como havia planejado.


Admito que não é exatamente o meu tipo de leitura. Quero dizer, não há zumbis e vampiros trazendo o horror aos desventurados. Acreditam que nenhum alienígena ciclópico e tentacular é mencionado na narrativa? Talvez por isso tenha demorado tanto.


O livro conta a história de Amir, menino rico nascido na cidade de Cabul, capital do Afeganistão. Em sua primeira parte, conhecemos a infância do protagonista, acompanhado sempre por seu fiel criado, Hassan. Embora amigos, havia uma nítida relação patrão-empregado entre os meninos, reforçada pela fortíssima distinção étnica da sociedade de então, sendo Hassan um Hazara e nosso protagonista um pashtun.


A narrativa constrói uma espécie de lembrança saudosista da época em que as coisas no Afeganistão funcionavam, mas toma o cuidado de salientar as dificuldades marcadas pelo preconceito étnico, de forma mais ou menos sutil. Há de se lembrar, afinal, que o personagem que rememora o passado era pertencente à elite pashtun.


De todo modo, Hassan e seu progenitor sempre foram bem tratados pelo pai de nosso protagonista, ao passo que Emir era sempre deixado de lado pelo velho Baba. O garoto começou a descontar suas frustrações em Hassan, até que um dia deixou que o amigo verdadeiramente se fodesse, na esperança de conseguir construir um relacionamento com o pai.


Sem spoiler, Amir ficou diante de uma escolha: sacrificar o amigo na esperança de conseguir a aceitação do pai, ou se colocar em perigo para salvar Hassan.


O restante do livro é, basicamente, um esforço do protagonista em busca da redenção por sua(s) escolha(s).


Ah, e pipas.


Sinto que o interessante do livro está na apresentação da cultura e história afegã de modo mais ou menos mastigado para nós ocidentais, em uma forma narrativa que estamos familizarizados. A trama, em si, não é muito instigante e particularmente achei difícil construir empatia com o personagem principal. E eu já falei que não tem alienígenas? Apenas drama. E mesmo assim não dos melhores.


Digo, não senti na leitura uma ternura envolvente, que é tão marcante nos dramas de autores latinos, como Gabo ou Bolaños. Realmente acredito que o sucesso mundial se explique pelo interesse ocidental no país que acabou se tornando ponto de extrema curiosidade e imaginário, envolto na ideia de caos e terror.


Bom, o próximo livro será da África do Sul. Com alguma sorte encontrarei lobisomens e criaturas indizíveis.

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