• Barbosa

O Farol - RESENHA

Atualizado: Fev 7



No final do século XIX um faroleiro iniciante se vê preso a um trabalho estafante em uma pequena rocha no meio do oceano, tendo como únicas companhias o velho e misterioso zelador do farol e as aves marítimas que constroem seus ninhos no local e parecem ter sempre um comportamento agressivo sem razão.


O diretor Robert Eggers retorna após o aclamado "A Bruxa" para seu segundo trabalho nos cinemas. Aqui mais uma vez ele trata sobre isolamento e como essa situação afeta as pessoas.


Assim como em "A Bruxa", creio que os fans de terror mais popular talvez não gostem tanto assim desse filme. Por exemplo, a película foi rodada em uma proporção quase quadrada, 1:1,19 para ser mais exato, lembrando bastante os antigos televisores de tubo, além disso o filme é inteiramente filmado em preto e branco. Usando esses artifícios o diretor consegue criar um clima de suspense que visualmente remete ao expressionismo alemão e ao mesmo tempo passa a "mensagem" de que não se trata de um filme "comum" de terror.


Não vá à sala de cinema esperando ação desenfreada de um filme com dois atores em uma rocha no mar. Aqui o "horror" vem da construção de tensão devido à convivência forçada de dois faroleiros de gerações diferentes, com uma relação de poder desequilibrada entre eles e fadados a um trabalho exaustivo e repetitivo.


A imensidão do mar e suas criaturas sempre me causaram um misto de mistério e amedrontamento, então O Farol conseguiu me pegar e me senti imerso naquela ilha acompanhando a rotina dos dois homens. Essa imersão foi mais fácil devido às atuações incríveis de Robert Pattinson e Willen Defoe.


No Oscar o filme recebeu uma indicação de melhor fotografia.


Nota: 9,0 / 10,0

Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=aJoGdiyvdYs&t=5s


[SPOILERS ABAIXO]


Em O Farol acompanhamos o processo de enlouquecimento do jovem Ephraim / Thomas. Ele já possuía um histórico de comportamento instável com seu antigo patrão abusivo, e se vê em uma situação ainda pior na companhia do velho Thomas Wake. A convivência forçada, o comportamento misterioso do velho e de tudo que envolve o farol, somado ao abuso de álcool fez com que a sanidade do jovem não suportasse. Não acredito que ambos eram o mesmo personagem, como alguns estão dizendo. Sobre a última cena, é uma alegoria do mito de Prometeu. Após alcançar a luz o jovem Thomas é condenado a ter as entranhas devoradas pelas aves marítimas.

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