• Barbosa

Caindo

Atualizado: Mai 13



Às 17h em ponto Jonas saiu do trabalho. Apesar de não ter ficado além do horário, ele estava se sentindo mais cansado que o normal. Dores de cabeça e coisas do tipo nunca o incomodaram antes, mas ficar sentado de frente para uma tela o dia inteiro deixou seus olhos cansados e sensíveis. Enquanto descia a rampa em espiral que leva até a saída do prédio alguns colegas se aproximaram de Jonas e começaram a puxar assunto, os mesmos de sempre, reclamavam do custo de vida, de suas famílias, da politica e das liberdades da sociedade atual. “Fajutos!” pensou Jonas lembrando-se de um livro que leu há muito tempo, quando ainda estava na escola, mas por fora apenas sorriu e balançou a cabeça em concordância.


Ao entrar no transporte comunitário Jonas sintonizou a estação de notícias para se inteirar dos acontecimentos do dia, já que ele ficou entocado no trabalho sem conseguir sair nem pra almoçar. Uma voz feminina estava lembrando aos ouvintes de que naquele dia poderiam observar um evento cósmico raríssimo: seria possível assistir à olho nu o cometa recém descoberto cuja órbita é de 5 mil anos. Jonas não tinha muito interesse em astronomia e, na verdade, não era do tipo que costuma ficar observando o céu com frequência, mas tinha-se comentado tanto sobre evento nas últimas semanas que ele ficou curioso para observar o fenômeno.


Após saltar do veículo, Jonas não precisava caminhar muito para chegar em casa, eram apenas 10 minutos, e como ele chegou mais cedo resolveu fazer uma parada para comprar algumas coisas para petiscar enquanto esperava o espetáculo mais tarde. Fazer compras era uma atividade que ele sempre detestou, mas desse lugar em especial ele gostava, pois não costumava ficar muito cheio e era no caminho de sua casa, então ele nem mesmo se importava de pagar um pouco mais caro pelas compras.


No entanto, no momento em que Jonas se dirigiu para pagar começou a se arrepender de ter entrado ali. Parecia que todo mundo havia resolvido fazer compras ao mesmo tempo e para piorar a fila gigantesca não andava, os caixas estavam mal humorados e trabalhando com uma lentidão inexplicável. Alguém começou a reclamar da demora dos caixas, outro começou a lançar indiretas para alguém que estava na fila dos idosos, um bebê começou a chorar e foi nesse momento que alguém empurrou Jonas.


Este foi o gatilho para alguma coisa dentro dele se romper, uma espécie de raiva ancestral, quase reptiliana, se apoderou dele. E enquanto ele espancava o cara que o havia esbarrado experimentou uma sensação de prazer que não conhecia. Algo que o impulsionava a continuar com as agressões. Com a chegada dos seguranças a briga se tornou generalizada e foi no meio daquela orgia de violência que o céu noturno brilhou com a luz de uma bola de fogo gigantesca. Jonas só teve tempo de levantar o focinho para o céu e arreganhar os dentes antes que o mundo dos dinossauros acabasse em uma explosão branca sem deixar nenhum vestígio de seu grau de desenvolvimento e com ele encerrasse o período Cretáceo.


Conto baseado no comentário de um amigo sobre outra história aqui do blog.

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