• Barbosa

Parasita - RESENHA


Então o sul coreano Parasita ganhou o Oscar de melhor filme do ano, além disso acumulou os prêmios de melhor direção, roteiro original e filme internacional. Um feito histórico para o cinema e especial para o cineasta Bong Joon-Ho que se igualou a Walt Disney ao abocanhar quatro estatuetas em uma mesma noite. Abaixo escrevo minhas impressões sobre a obra com spoilers.


O filme conta a história de duas famílias que mantem uma relação patronal. Coincidentemente ambas têm o mesmo número de membros (pai, mãe, filho e filha) mas vivem realidades completamente diferentes. Enquanto que os Kim vivem uma existência miserável e sofrem todo tipo de necessidade, os Park são abastados e levam uma vida de luxo.


Após a recomendação de um amigo, o filho dos Kim, Kim Ki-woo começa a trabalhar como professor de inglês da jovem Park Da-hye. Ao chegar na residência para a entrevista Ki-woo fica impressionado com a riqueza da família e a vida que levam em contraste com a sua e de sua família. Aproveitando-se da ingenuidade da mãe dos Park ele vislumbra a oportunidade de empregar sua irmã sem que os patrões soubessem desse parentesco, e após uma série de manipulações e mentiras toda família Kim está trabalhando para os Park.


Até esse momento sentimos uma certa antipatia pelos Kim, pois fica claro desde o inicio que são uma família com valores deturpados e que são capazes de cruzar qualquer limite ético pela sobrevivência. Mas conforme vamos conhecendo os Park vemos que estes não são os inocentes da história, é possível perceber que estes veem os empregados como uma classe de seres humanos inferiores, que têm sua utilidade ao realizar algumas tarefas incomodas, mas que podem ser facilmente substituídos quando cruzam determinada linha e se tornam um aborrecimento.


Enquanto acompanhamos a relação entre as duas famílias começa a ficar nebuloso que está parasitando quem. Os Park não são capazes de executar as tarefas mais básicas para sua sobrevivência, são dependentes dos Kim para tudo, desde educar os próprios filhos, se deslocar, preparar sua comida e cuidar da casa. A família mais pobre manipula a mais rica, ou é manipulada ao serem obrigados a realizar os serviços mais humilhantes por dinheiro?


Parasita reflete sobre luta de classe, mas sem apontar culpados e inocentes, opressores e oprimidos. Mostra que a dominação de um grupo sobre outro é inerente à condição humana. Aqueles que detém algum poder sempre são tentados a usá-lo contra os mais frágeis. Além disso é interessante notar como diferentes classes experimentam existências tão diferentes que poderia habitar mundos completamente diferentes, ainda que geograficamente não estejam tão distantes, e a única maneira de pessoas em situações tão extremas interagirem é através das relações de trabalho.


Nota: 8,5/10,0


Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=m4jfE-TxC24

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